quarta-feira, 30 de maio de 2012

















O passado é um fragmento de memória.
Eu sempre gostei de frio e de inverno.
Hoje entendo a fria necessidade do agora.
Nem mesmo museus vivem de passado.
E alguns momentos se documenta, outros se esquece.
Não vou mais viver em anos anteriores a quando nasci.
Mas o próximo mês será o melhor de toda a minha vida.
Maio está morrendo, e eu também, talvez.
Ainda há tempo para contornar fracassos.

domingo, 27 de maio de 2012



Quando você percebe que fingem te ouvir, falar perde todo o sentido.
Um dia tive pena de todos os mudos, hoje os saúdo e até diria que os invejo.
Nem preciso falar dos surdos, que apesar de tudo, mentiras não podem ouvir.
Hoje posso ver até o lado positivo das deficiências que nunca tive.
E mesmo não tendo deficiências sou tão inerte e involucro quanto a poeira.
Não, a poeira se move na direção que o vento lança, eu não.
O cheiro de podridão que infesta minha vida sou eu.

sábado, 26 de maio de 2012

Frí(vol)o

Ouço os cães latirem na rua,
a essa hora da noite ainda durmo,
ou finjo, mediante a circunstância.
Nessa parte do sonho eu acordo sem ar.
E a tosse seca rasga minha garganta.
Me levando e engulo a água amargada.
Exatamente aí.
É nesse momento em que eu acordo do sonho.
Ouço as pessoas balbuciando na sala.
Nunca houveram pessoas a balbuciar.
É nessa parte do sonha que eu ainda não acordei.
Alguma voz distante prega em meus ouvidos.
Não há um pastor em meus sonhos.
Aqui mesmo é onde tenho o controle.
Eu morrerei sozinho sem nunca morrer só.
Esse é meu azar.
Aqui é quando eu acordo.
Todos os dias.
Exatamente aqui.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Maio


Minha vida anda uma merda, que não desce pela descarga.
Talvez seja o mal de ser o filho bastardo do fracasso.
Eu já sei que tudo passa, mas, as vezes demora demais.
Já me cansei desses pedidos de pensamento positivo.
Já me cansei de ver que o sucesso não me pertence.
E nem lutando com todas as forças consigo me sentir algo
além de um bolo de nada implorando auto-piedade.
Um terremoto, um desabamento e uma vida perdida,
no dia de hoje esses seriam os drinks que me fariam bem.

Quem tem as garantias de que algo, mesmo frívolo,
possa me fazer realmente algum bem?

terça-feira, 22 de maio de 2012

A criança, com algumas perturbações espaciais, não
consegue perceber e ter a noção de termos como
dentro, fora, perto, longe, em cima e embaixo.
E as vezes, até mesmo eu tenho essa dificuldade.
Talvez eu seja uma criança, presa nesse corpo grande.
Talvez eu seja Peter Pan ou somente mais um pobre coitado.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Coffee












Café se toma quente.
Preto.
Coado no pano.
Quanto mais velho melhor.
Num velho coador experiente.
Torrado na hora é melhor ainda.
Como gosta a minha vó.
As vezes doce, as vezes amargo.
Como a vida.
Starbucks é uma merda.
Merda pré-fabricada.
Não tem a mão humana.
É tudo plástico.
E eu nem sei se é mesmo café.
Quem foi o idiota que inventou o descafeinado?
Sem cafeína não é café.
Odeio a starbucks.

sábado, 12 de maio de 2012

Um livro e um lirio, sem adeus para Jay.

Não há muitas coisas para se fazer em Berilo numa época dessas;
e para falar a verdade não há muito o que fazer em época alguma.
Nasci em uma cidade que de cidade não tem nada, e admito, se eu
não precisasse voltar eu jamais pisaria meus pés naquela terra
vermelha outra vez, prefiro viver aqui, escondido, solto, sem enxofre no ar.
Hoje a vida não me deixa intoxicado, e apesar das semelhanças,
Montes Claros não me faz um quinto do mal que aquele lugar me fazia.
O anonimato é o meu esconderijo secreto, talvez por isso aqui eu viva bem.
Tenho alguns poucos amigos, os melhores, e perdi uma multidão a mais;
aqui eu não tenho nada do que preciso mas também tenho tudo.
Hoje eu não preciso de cocaína para querer aprender a dançar.
E por pior que alguma dor me seja, não, ela não vai doer mais do que já dói.
Caso algo dê errado eu tenho discos e livros, e mesmo me sentindo velho,
tenho muitos outros anos para tentar e recomeçar toda vez que nada der certo.
E apesar de ter me apegado ao pouco que construo não me sinto um conformista.
Sei que meus atos e minhas palavras não impressionam filósofos, juízes, reis ou
cientistas, me perdoem, no momento quero encontrar uma maneira de impressionar
a mim mesmo.

Sinto muito Nietzsche, eu não vou passar nem perto do que seria um super-homem.

domingo, 6 de maio de 2012

Primo

Vejo pessoas de plástico.
Familiares, amigos, eu.
Somos todos plásticos.
Pré-fabricados.
Moldados numa prensa para ganhar forma.
Uma forma cheia de vazios.
Vazios que não se preenchem.
Não há inconsciente que justifique.
Nem uma mente ali.
Somos tão plástico quanto Max Steel.
E tão importantes quanto cadáveres.
Nascemos plástico.
Sem vida.
E completamente sós.
Rodeados de solitários como nós.